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Sem o mesmo fôlego, Lei Seca começa a ser ignorada no país.

Número de batidas aumentou 8,6% nas rodovias federais de todo o país. Balanço da PRF mostra que tendência de queda no número de mortes reduziu de 13.6% para 8%.

A falta de uma fiscalização eficaz pode estar incentivando um comportamento até pouco tempo reprimido pela Lei Seca: o de beber e depois dirigir. Depois de três meses de vigência da medida que estabelece tolerância zero para a combinação álcool e volante, estatística da Polícia Rodoviária Federal(PRF) divulgada no dia 22 de setembro mostra que a tendência de redução do número de acidentes com mortes perde a força.

Nos dois primeiros meses de vigência da norma, entre 20 de junho e 20 de agosto, autoridades comemoraram uma queda 13,6% no número de vítimas fatais em acidentes nas BRs de todo o país-em comparação com o mesmo período de 2007.
Somados mais 30 dias nas estatísticas(até 20 de setembro), o índice manteve a queda, mas de apenas 8%. Foram 1.469 mortes no ano passado contra 1.351 neste ano.

Em Minas também houve redução no ritmo da queda do número de vítimas fatais, mas menos acentuada. Nos primeiros 60 dias de Lei Seca no Estado, houve menos 12% de mortes que em 2007. Já nos 90 dias do comparativo, a queda foi de 11%.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego em Minas Gerais(Abramet), Guilherme Durães Rabelo, os números evidenciam um comportamento já esperado. Para ele, a falta de estrutura, como a carência de bafômetros, por exemplo, faz com que as pessoas se sintam mais à vontade para burlar a legislação. "A lei é boa, é importante, mas assim como todas as outras que são aprovadas sem preparação para mantê-las, cai em desuso. Até acredito que no início as pessoas na cidade respeitavam mais em função do medo de serem penalizadas, mas, hoje em dia, menos condutores estão preocupados", afirma Rabelo, que é também cirurgião geral e do trauma no Hospital de Pronto-Socorro JoãoXXII(HPS), na capital.

A cabeleireira Caroline Baêta,34, admite ter voltado a beber sem receio antes de pegar o volante. "Nunca deixei de beber, mas antes ficava mais preocupada e bebia muito pouco. Agora relaxei porque sei que o impacto inicial da fiscalização diminuiu", diz.

Apesar de ter mudado o comportamento e de ter se adequado às normas da Lei Seca, o bancário Geovanne Gomes de Lima,37, afirma que o relaxamento começa a dar sinais entre seu círculo de amizades. Ele conta que tomar uma quantidade de bebida sem abusar virou uma possibilidade para alguns motoristas. "Tenho notado que o pessoal não tem mais aquele pavor de blitz. Não é que estão voltando ao que era antes, mas essa coisa de não tomar nada está passando",diz.

O presidente da Abramed critica a forma como a medida foi implantada, uma vez que, segundo ele, não há programas em Minas para educação e prevenção no trânsito, além de existirem falhas na fiscalização. Rabelo afirma temer que uma lei que considera fundamental para a sociedade brasileira possa se perder por conta de tais problemas.

INTERIOR- Para a PRF, a diminuição da tendência de queda nas estatísticas deve ser atribuída à falta de fiscalização no interior do Brasil, principalmente em cidades pequenas. De acordo com o inspetor nacional de comunicação da PRF, a discussão sobre fiscalização no interior ainda é muito primária. "Ainda estão discutindo qual tipo de bafômetro devem comprar, como será a fiscalização, mas a lei está aí há três meses. A tendência de queda reduziu porque as pessoas estão desrespeitando a fiscalização. No início da Lei Seca, todos os órgãos estavam fiscalizando, fazendo rodízio de bafômetro, e isso diminuiu".

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